Quando falamos que autoconhecimento é parte importante para a criação do estilo pessoal, felicidade, satisfação, não é a toa. No texto de segunda (se você ainda não leu, clique aqui.) falamos sobre a nossa mentora interior, aquela voz interna que nos guia para a nossa melhor versão. Todas nós temos uma voz positiva interna, da mesma forma, todas temos uma voz negativa, crítica, que insiste em nos colocar medo e, por vezes, nos paralisando, e é dela que vamos falar agora.

Para começo de conversa, compreender que essa voz crítica não é você, é o primeiro passo. Ela faz parte, ela foi criando força, dependendo do que você viveu, mas ela foi criada, ela não nasceu junto com você. ‘Mas Mari, se ela é parte de mim, claro que ela sou eu, nasceu comigo e vai morrer comigo.’ Acredito que a melhor maneira de te explicar isso é te levar para a sua infância, quando você simplesmente ia, brincava, tentava, caia e levantava. Consegue lembrar dessa voz nessa época? Provavelmente ela vinha de fora, seja dos amigos, da mãe, pai, avó, professores… quando nos diziam algo que nos deixava com medo, ou apenas chamavam nossa atenção. Outra coisa super válida: não quero dizer que a culpa é da sua mãe, ou dos outros, apenas te mostrar que tudo iniciou de fora para dentro, cada um de nós internalizou essa voz de uma maneira, alguns de forma suave, outros interpretaram tudo de um jeito agressivo, mas todos nós temos ela, a crítica, dentro de nós.

‘Ah! Mas essa crítica é um horror, ela é ruim, não quer me ver feliz…’ Também não é bem assim. Tudo que ela quer é te “proteger”, tirar, ou diminuir, os riscos, fazer você continuar na zona de conforto. Aquela super proteção, sabe? Ela pode te impedir de ousar na roupa que você deseja tanto colocar (“Tira isso, vão te achar mega vulgar” – você escuta e nem reflete sobre o prejulgamento dela, vai lá e tira), mas ela também te faz ser cuidadosa, por exemplo, na hora de atravessar a rua (“Não dá tempo, você vai ser atropelada!” – você fica ali, salva pela crítica). Ela é assim, não é 100% ruim e nem 100% boa, é do tipo que vale ouvir o conselho, mas precisa de peneira, de questionamento, ainda mais se ela vier com uma verdade absoluta sobre você. Aí sim, CUIDADO! Nada é verdade absoluta, tudo pode mudar, então não, você não é incompetente, você não é magra demais e nem de menos, você não é mal amada, burra e sei lá mais o que ela teima em afirmar e você nem percebe que pode não concordar.

Por isso, quero te dar 3 dicas para identificar a voz e saber quando é ela que está ali, te impedindo de ser sua melhor versão.

  1. Questione sua crítica –> Quando a voz trouxer algo limitador, existe grande possibilidade de ser ela, a crítica. Para ter certeza, pergunte “mas por que você diz isso?”. A crítica trará ‘n’ outros motivos, negativos, para te travar e, você já sabe, uma ideia não pode ser de todo ruim. Quando não for ela, você começará a fazer perguntas que te levem ao pensar sobre, do tipo “Essa ideia que tenho, quais resultados podem ter?”, “Como posso me preparar para o desafio?”, “Vou experimentar essa roupa e ver como me sinto!”. Repare que você não vem com a resposta imediata, você avalia, sem medo;
  2. Dê um nome próprio para a sua crítica –> Ficará bem mais fácil identificar quando for ela. E você conseguirá abrir um papo, perceberá a diferença entre ela, você e sua mentora (aquele texto que citei no início sabe?);
  3. Conheça a sua crítica–> Agora que ela tem um nome, avalie quem é ela, quais os resquícios ela carrega, é uma voz feminina ou masculina? As frases dela, foram aprendidas com quem? Ela pode ter muito da sua professora do ensino médio, quem sabe? Ou dos amigos que te zoaram em uma determinada fase da adolescência. Ou dos seus pais. Avalie, aceite, não a maltrate, ela quer te proteger, lembre-se disso.

Agora você terá a percepção de que há uma crítica e uma mentora em você. É um exercício diário perceber quando elas entram em cena. Não existe maneira de “matar” sua crítica, tirar ela de jogo, mas você aprenderá à conviver com ela, perceber quando é ela que está ali, cochichando no seu ouvido, e falar para ela: “Ok, entendi seu argumento, mas está tudo bem, sei o que estou fazendo, pensei e me preparei para isso!”.

A felicidade, autoestima, bem-estar, não são ter pensamentos positivos 100% do tempo, significam viver em harmonia com dores e prazeres em ser quem se é.

Fez sentido? Quando sua crítica mais fala com você? Diz o que achou aqui nos comentários.

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4 Comentários
  • Aline
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    Oiii Mari,como sempre amei o que escreveu.Obrigada por compartilhar comigo 😘 vou tentar esse exercício,é que é tão difícil conviver com a crítica. As vezes ela magoa muito.

    • Marianna
      Responder

      Obrigada por compartilhar seu feedback. É difícil, mas a gente pode aprender aos poucos, sem deixar inclusive, esse mesma crítica interior, nos fazer achar que não dá para aprender isso. Vai fundo, acredite que dará certo. beijinhos

    • Marianna
      Responder

      Oi Aline, nossa, faz tempo que você deixa esse comentário e vários outros super legais. Infelizmente meus posts foram tomados por comentários de máquina, o que lotou e impossibilitou que eu visse os de pessoas reais. Que pena! De qualquer maneira, o importante é que consegui ver, anos depois rs… desculpa e muuuito obrigada. Espero que continue aqui de olho nos posts. beijinhos

  • Amanda Borges
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    Amei o post e o seu site!
    Obrigada pela dica!

    Amanda

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